Cérebro de músicos tem mais substância

Os músicos têm mais massa cinzenta em determinadas regiões do cérebro, revela um novo estudo dos cientistas Dr. Christian Gaser, da Universidade de Jena (Alemanha), e Dr. Gottfried Schlaug, da Escola de Medicina de Harvard (Estados Unidos).

As diferenças entre os cérebros de músicos profissionais, de músicos amadores e de não-músicos.

Ao comparar o cérebro de músicos profissionais, amadores e não-músicos, os cientistas constataram diferenças na quantidade de massa cinzenta de determinadas regiões responsáveis pela audição, visão e controle motor. Os resultados do estudo foram publicados na edição de outubro do renomado Journal of Neuroscience.

 “Os músicos são objetos prediletos da pesquisa do cérebro”, afirma o Dr. Gaser, pois tocar um instrumento é algo que começa desde criança e exige muito da audição e da motricidade fina das pessoas. Uma das particularidades da música é que os músicos precisam transformar rapidamente as informações visuais — as notas musicais — em movimentos dos dedos. A pesquisa dos doutores Gaser e Schlaug constatou que as diferenças da estrutura do cérebro dos três grupos estudados — músicos profissionais, músicos amadores e não-músicos — estão relacionadas à intensidade do treinamento musical. Quanto melhor treinado o músico, maior é a proporção de massa cinzenta. Como se sabe, a quantidade da massa cinzenta é determinante no grau de inteligência de um indivíduo.

Ressonância magnética para medir o cérebro

 Os cientistas utilizaram a tomografia por ressonância magnética para obter representações visuais em três dimensões do cérebro. Para isto o Dr. Gaser desenvolveu um novo método de medição, inspirado na eletrotécnica e na morfometria, que permite estudar a transformação temporal da “paisagem cerebral”. As imagens obtidas permitem deduzir, por exemplo, que os instrumentistas utilizam muito mais a mão esquerda do que as pessoas que não tocam nenhum instrumento. A principal conclusão do estudo é que a prática constante de um instrumento influencia de forma positiva o desenvolvimento do cérebro.

 Ao que tudo indica, o efeito do treinamento musical no cérebro é semelhante ao da prática de um esporte nos músculos, afirma o Dr. Gaser.

Talento musical é nato ou adquirido?

 A partir desses primeiros resultados, os dois pesquisadores querem agora resolver um dos principais enigmas da música: descobrir se o cérebro dos músicos é diferente desde o nascimento, e por isso é que eles se tornam músicos, ou se as diferenças de estrutura cerebral se desenvolvem em função do treinamento musical. A partir deste ano, eles começaram a estudar o cérebro de um grupo de crianças americanas entre 5 e 7 anos de idade. Os meninos serão acompanhados desde o início de sua educação musical, durante três anos. Eles estão divididos em três grupos: o primeiro aprende a tocar um instrumento, o segundo freqüenta um curso de música mas sem aprender um instrumento e o terceiro grupo só freqüenta as aulas de música da escola. O desenvolvimento do cérebro dessas crianças será documentado em intervalos regulares, através de imagens de ressonância magnética e do método de morfometria aperfeiçoado pelo Dr. Gaser. Isto permite detectar qualquer pequena transformação ocorrida em regiões específicas do cérebro.

Os cientistas esperam assim fornecer uma resposta definitiva à questão: por que os cérebros do músico têm mais substância?

 Fonte: http://www.dw.de/dw/article/0,,1017888,00.html

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